Hoje, quando lemos o Novo Testamento encontramos um texto cuja estilização tipográfica está bem organizada. Contudo, não damos conta da diversidade e complexidade dos documentos que formam a base do texto impresso. Ou seja, aqueles textos que foram produzidos na "era apostólica". Segundo Paroschi não temos o documento original do NT, apenas cópias. Os manuscritos completos mais antigos remontam o século IV. Diante destes fatos alguns problemas são levantados:
Primeiro, o tempo que separa a redação original do texto preservado tem aproximadamente 300 anos. Um longo período onde cópias e cópias de cópias forma produzidas. É muito tempo, e isso abre a possibilidade de dúvidas quanto a autenticidade dos textos, devido ao excesso de cópias. No entanto, deve-se considerar que a distância entre o original e o primeiro texto conservado é muito menor para os escritos do NT do que para outros escritos da antigüidade. A primeira cópia da obra de Ésquilo (525-456 a.C.) data do ano 1000 d.C., aproximadamente.
Outro problema é avaliar a distância que separa a redação dos escritos do NT, dos acontecimentos que eles testemunham, algo em torno de 15 a 20 anos.
Podemos começar pelos evangelhos sinóticos, mesmo não sendo estes os primeiros textos do Novo Testamento a serem escritos. O termo sinótico do grego synopsis significa ver em conjunto. Os três evangelhos: Mateus, Marcos e Lucas foram chamados de sinóticos pela primeira vez por J.J. Griesbach, teólogo alemão do século XVIII. Os sinóticos apresentam traços, no ministério de Jesus, que envolvem estrutura, semelhança e enfoque.
Há um ordem de acontecimentos que mantém grande similaridade: Ministério na Galiléia; Retirada para o norte (clímax – confissão de Pedro); Ministério na Judéia e Peréia (quando Jesus se dirigia para Jerusalém – não muito claro em Lucas); Ministério final em Jerusalém. Taciano no século II combinou os quatro evangelhos em um conteúdo chamado Diatessaron. Agostinho escreveu A Harmonia dos Evangelhos. Marcião, ainda no século II, suprimiu três dos quatro evangelhos ficando apenas com o de Lucas. Mas, é justamente Lucas quem menciona como as informações lhe chegaram:
“Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, 2 conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, 3 igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, 4 para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.” (Lucas 1.1-4)
Lucas, portanto, reconhece três etapas:
1. As testemunhas oculares e ministros da palavra (transmitiram – tradição oral)
2. Os muitos que empreenderam a narração coordenada dos fatos (narração textual – etapa em que as fontes escritas começaram a surgir)
3. O próprio Lucas que, a partir das fontes, elabora seu próprio relato “exposição em ordem” (autoria final).
Conforme Cullman “cada evangelista, na realidade, somente tinha à sua disposição narrações e palavras isoladas de Jesus, que foram transmitidas pela tradição oral; ele podia, portanto, estabelecer o plano que queria”.
Ao longo dos últimos 200 anos surgiram vários enfoques para tratar deste problema. Três enfoques deram contribuições distintas e relevantes para o problema das origens e desenvolvimento dos evangelhos:
• A Crítica da Forma (Formegschichte) – concentra a atenção no período da transmissão oral;
• A Crítica das Fontes – focaliza a maneira como unidades diferentes foram reunidas para constituir os evangelhos;
• A Crítica da Redação (Redaktionsgeschite) – focaliza as contribuições literárias e teológicas dos autores dos evangelhos.
Estas três formas são muito semelhantes às três etapas propostas por Lucas. Elas não são exclusivas e podem ser usadas simultaneamente (análise ou crítica da tradição – Traditionsgeschichte). Discutiremos melhor nas próximas postagens.
Há um ordem de acontecimentos que mantém grande similaridade: Ministério na Galiléia; Retirada para o norte (clímax – confissão de Pedro); Ministério na Judéia e Peréia (quando Jesus se dirigia para Jerusalém – não muito claro em Lucas); Ministério final em Jerusalém. Taciano no século II combinou os quatro evangelhos em um conteúdo chamado Diatessaron. Agostinho escreveu A Harmonia dos Evangelhos. Marcião, ainda no século II, suprimiu três dos quatro evangelhos ficando apenas com o de Lucas. Mas, é justamente Lucas quem menciona como as informações lhe chegaram:
“Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, 2 conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, 3 igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, 4 para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.” (Lucas 1.1-4)
Lucas, portanto, reconhece três etapas:
1. As testemunhas oculares e ministros da palavra (transmitiram – tradição oral)
2. Os muitos que empreenderam a narração coordenada dos fatos (narração textual – etapa em que as fontes escritas começaram a surgir)
3. O próprio Lucas que, a partir das fontes, elabora seu próprio relato “exposição em ordem” (autoria final).
Conforme Cullman “cada evangelista, na realidade, somente tinha à sua disposição narrações e palavras isoladas de Jesus, que foram transmitidas pela tradição oral; ele podia, portanto, estabelecer o plano que queria”.
Ao longo dos últimos 200 anos surgiram vários enfoques para tratar deste problema. Três enfoques deram contribuições distintas e relevantes para o problema das origens e desenvolvimento dos evangelhos:
• A Crítica da Forma (Formegschichte) – concentra a atenção no período da transmissão oral;
• A Crítica das Fontes – focaliza a maneira como unidades diferentes foram reunidas para constituir os evangelhos;
• A Crítica da Redação (Redaktionsgeschite) – focaliza as contribuições literárias e teológicas dos autores dos evangelhos.
Estas três formas são muito semelhantes às três etapas propostas por Lucas. Elas não são exclusivas e podem ser usadas simultaneamente (análise ou crítica da tradição – Traditionsgeschichte). Discutiremos melhor nas próximas postagens.
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