quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A FORMAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO (Parte 2)


A Crítica da Forma ou Tradição Oral foi o período anterior à existência de textos escritos sobre a vida e o ensino de Jesus, pelo menos textos de grande importância. Trata-se de um período em que as informações que formaram os evangelhos foram transmitidas oralmente. Talvez um período em torno de 20 anos se localizarmos a composição de Marcos no ano 50 a.D.

A crítica da forma, inicialmente aplicada no estudo do Antigo Testamento, vem desde o começo do século XX sendo usada no estudo do Novo Testamento.

Proponentes:

Karl Ludwig Schmidt, Martin Dibelius e Rudolf Bultmann.

Pressupostos:

1. Relatos sobre a vida e declarações de Jesus circularam em pequenas unidades independentes;
2. Pode-se comparar a transmissão dos dados dos evangelhos com a transmissão de outras tradições populares religiosas (comunidade);
3. Os relatos e declarações de Jesus assumem certas formas padronizadas (daí o nome: crítica ou história das formas);
4. A forma de um relato ou declaração específicos possibilita a determinação de seu Sitz im Leben (situação de vida) – o contexto na vida da igreja primitiva ;
5. A comunidade não só colocou as declarações e histórias de Jesus em certas formas como também adequou esse material às suas próprias necessidades e situações ;
6. A utilização de critérios que ajudam a determinar a idade e fidedignidade histórica de certas perícopes. Tais critérios baseiam-se em leis de transmissão, que de acordo com essas supostas leis as pessoas tendem a:

• Ampliar seus relatos;
• Acrescentar detalhes;
• Conformar com seu próprio vocabulário;
• Geralmente preservar e criar somente o que se harmoniza com suas necessidades e crenças.

A conclusão de muitos críticos com base nessas leis é que os dados mais breves, com menos detalhes, em que há semitismos e não se harmonizam com os interesses da igreja primitiva ou judaísmo do século I são os mais antigos e tem nesse caso maior probabilidade de serem históricos.

Ex:. Marcos 13.32 – Jesus emprega uma linguagem que não é típica do judaísmo “o Filho” – A ignorância de Jesus que se choca com uma crença da igreja primitiva.

• Sustenta que o material autêntico concorda com material isolado pelo critério da dessemelhança;
• Dá preferência aos dados encontrados em mais de uma corrente de tradição (Marcos e Q).

Houve de fato um período de transmissão oral e grande parte desse material provavelmente se compunham de unidades pequenas; é provável que esse material tendesse a uma forma padrão; e a igreja deve ter influenciado a maneira como esse material foi transmitido.

Considerações:

• É possível que já houvesse material escrito;
• É pouco provável que se consiga, com exatidão, identificar uma situação vivencial da igreja primitiva (2 Coríntios 5.16b);
• Um pecado cometido pelos críticos da forma é não ter dado quase nenhuma atenção ao papel de indivíduos na modelação e transmissão de dados;
• É questionável a comparação que os críticos fazem entre a transmissão dos dados dos evangelhos ao longo de 20 anos e outros dados críticos que são usados. Por exemplo: a literatura rabínica. “Os evangelhos formam um gênero literário à parte, que não se assemelha em nada aos gêneros conhecidos na literatura profana “;
• Nem sempre a tradição oral tende a aumentar o material. O que se deve criticar é o critério de autenticidade;
• Nem sempre as declarações isoladas são as autênticas, mas em alguns casos as que nos dão certeza;
• A crítica da forma deixa na maioria das vezes de considerar a presença de testemunhas oculares: hora hostis; hora capazes de usar os métodos da transmissão de tradições rabínicas (materiais escritos e memorização);
• Acreditamos que os cristãos primitivos estavam desejosos de transmitir com exatidão os feitos e as palavras de Jesus.

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